Xangri-Lá: conheça a história de uma das mais famosas praias gaúchas

O balneário foi emancipado de Capão da Canoa por meio de plebiscito realizado em março de 1992.

Até 27 anos atrás, o balneário de Xangri-lá pertencia ao município de Capão da Canoa. A praia emancipou-se através de um plebiscito realizado em 26 de março de 1992. Hoje, é um expressivo município do litoral norte do Rio Grande do Sul, que compreende nove outros balneários: Atlântida, Guará, Praia dos Coqueiros, Marina, Maristela, Remanso, Arpoador, Noiva do Mar e Rainha do Mar (distrito).

A origem do nome Xangri-lá vem de uma palavra criada pelo novelista inglês James Hilton (1900-1954), na sua obra Horizonte Perdido, escrita em 1933. Na literatura, Shangri-La é um país imaginário, na região do Tibete, no qual as pessoas que lá chegavam conseguiam conservar a forma física, desde que não mais saíssem do lugar. Nesta obra, que o cinema e as muitas traduções tornam amplamente conhecida, Hilton aliou o romance de aventuras ao romance de ideias. Shangri-Lá é um símbolo e uma aspiração. Nele, não existe o mal, e a vida cresce em amor e sabedoria. Shangri-La é a terra dos homens felizes, constituindo uma versão moderna da Terra da Promissão. O romance de Hilton, escrito com beleza e simplicidade, traduz e inspira a tranquilidade almejada pelos moradores e veranistas de Xangri-Lá. Iniciou-se com uma dúzia de fazendas que ficavam entre as lagoas e o mar. A vida, na época, era voltada para a lagoa e para o campo: o mar, após o sobe e desce dos cômoros, não fazia parte dos interesses dos fazendeiros. Pelo contrário, eles precisavam cuidar para que o gado se mantivesse no campo, sem escapar para a praia.

Nossas praias começaram a ser modeladas com estrutura mínima, despretensiosa de ser apenas o lugar de descanso, o lugar onde famílias fossem para passar férias de verão com o privilégio de paz e tranquilidade, em dias ensolarados, com a imensidão do mar e areias fofas à disposição. No início dos anos 1950, a área começou a despertar o interesse dos homens de negócios. A construção do Hotel Termas Xangri-lá (demolido em 2006), a partir de 1955, foi decisiva para o desenvolvimento da região, que começou a ser ocupada, naquela época, por casas de veranistas.

Como se pode ver na foto acima, ainda em 1975, a Avenida Paraguassu era bastante deserta. Hoje, Atlântida sedia os clubes noturnos mais importantes do litoral. Um grande número de luxuosos condomínios e um comércio forte ao longo da Avenida Paraguassu garantem conforto e animação especialmente durante o verão. Por outro lado, o fato de ter mantido as construções mais na horizontal (e até mesmo com o comércio restrito à principal avenida, sem se misturar com as residências, como no caso do balneário Remanso) garante a essa parte do litoral gaúcho uma certa exclusividade e um charme especial.

Ricardo Chaves – GaúchaZH

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