A história da primeira casa construída em Xangri-Lá

Residência foi erguida pelo empresário Oscar Boz, de Caxias do Sul, em 1953.

Em relato publicado no livro Raízes de Xangri-Lá (Edições Est/Evangraf, 2016), o empresário Oscar Boz, de Caxias do Sul, conta, em detalhes, a iniciativa e a trajetória que o levaram a construir, em 1953, a primeira casa de Xangri-Lá, no litoral norte gaúcho.

Logo depois, em 1955, a construção do Hotel Termas Xangri-Lá (demolido em 2006), foi decisiva para o desenvolvimento do balneário, que, em 1992, emancipou-se de Capão da Canoa, tornando-se hoje um dos principais municípios da orla marítima do Estado. Agora ocupada por mais de 30 condomínios fechados (alguns luxuosos) e centenas de residências, é curioso saber as circunstâncias que levaram Boz a erguer, nessa área, a sua casa de veraneio.

Em 1950, hospedado com a esposa Léa e os dois filhos no Hotel Bassani, em Capão, ele ficou sabendo que o proprietário desse hotel (junto aos empresários Ramiro Corrêa e Agostinelli) estava preparando um loteamento em uma nova praia, que originalmente se chamava Capão Alto. Visitou o local e comprou um terreno. Dois anos depois, na falta de acomodações mais próximas, ele e os operários tiveram que se instalar no Hotel Riograndense, em Capão.

Em um pequeno Austin, repleto de ferramentas e passageiros, faziam diariamente, por duas vezes, o trajeto de cinco quilômetros por uma estrada de chão, entre o hotel e a obra. Tiveram que cavar, com muita dificuldade, um poço. Como na areia, à medida em que se vai aprofundando o buraco, as bordas das paredes vão desmoronando para dentro, foi necessário fazer uma espécie de túnel vertical de tábuas.

Concluído o poço, foi instalada uma caixa d’água. Ramiro montou um tanque a quatro quadras da casa. Às 19h, vinha um trator e bombeava água para a caixa. Esse mesmo trator permanecia até as 21h acionando um gerador que fornecia luz elétrica. Depois dessa hora, a iluminação ficava por conta de velas e lampião. A geladeira, de madeira, com gelo em barra, era precária. Um refrigerador a querosene foi providenciado, mas era difícil lidar com ele.

“No primeiro mês, o meu chalé era o único em construção, mas quando ele já estava quase pronto, começaram a surgir alguns vizinhos. No primeiro veraneio, eram uns quatro ou cinco” revela Boz em seu depoimento.

“Ser o primeiro morador de uma nova praia foi bastante sacrificante, mas também gratificante. Antigamente, deixávamos o dinheiro junto à panela, na beira da praia, para que a caminhonete da Corlac (empresa distribuidora) deixasse o leite”.

Ricardo Chaves – GaúchaZH

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